Laura chegou!

Ela é linda, fofa, interessante, cheia de carinhas engraçadas. Tem um rostinho de boneca e já consegue ser muito doce. Seu cabelinho tem cheiro de baunilha! Sua presença já é imensa na nossa casa! Ela é a Laura, minha "filha filha", o maior presente que eu poderia ter recebido nesta vida. Acho que eu sou a mãe mais apaixonada do mundo. Apaixonada pela Laura e pelo Pai da Laura, co-autor desta obra preciosa.

31 agosto, 2006

"Ela não dorme, ela pisca!"


Estou plagiando o seriado "Mothern", valendo-me do direito de fã muito antiga. Eu conheço o "Mothern" há uns 5 anos, desde que comecei a ler e assinar a Revista TPM. A coluna, oriunda de um blog, agora virou livro e também um seriado no GNT. Eu adoro! Agora com a Laura então, parece que toda a nossa vida de mãe está lá retratada. No último episódio uma das mães reclamava que o filho não dormia, apenas piscava. Ela e o marido faziam de tudo para o bebê dormir, desde passeios de carro, passando por travesseiro de ervas, até o sobe e desce de elevador.
Eu estou assim com a Laura. Acho que ela está no "catch up", também conhecido como "surto do crescimento". É uma fase periódica, que acontece de mês em mês, mais ou menos, em que o bebê quer mamar incessantemente de forma a garantir um maior suprimento de leite em função de seu crescimento.
Eu estou igual a um zumbi pela casa... Agora finalmente ela dormiu depois de uma mamada mais longa e mais eficiente. E eu já já vou dormir também.

Essa foto foi tirada no auge do dia, dá pra ver pelos olhinhos arregalados dela.

Sorrisos



Os sorrisos estão mais frequentes! A Laura está interagindo bastante, emite vários sons quando a gente conversa com ela e começa a sorrir em resposta ao nosso sorriso. É uma delícia! Eu tentei fotografá-la, mas a máquina tem sempre um atraso e eu só consegui captar meio sorriso nas fotos. Mas já vale.

O rostinho dela agora já melhorou, nestas fotos ainda dá pra ver a alergia dela. Filha de pais alérgicos não tem jeito mesmo. Ela fica toda vemelha com a nossa maniplação e ficou toda cheia de marquinhas depois de usar ums macacõezinhos mais quentes. Agora que esfriou o rosto dela melhorou.

28 agosto, 2006

"Pé de galinha não mata pinto!"

Esta é uma frase que a minha mãe tem dito para mim repetidas vezes quando eu expresso alguma insegurança em relação aos cuidados com a Laura. Primeiro foi em relação ao banho, no medo de "quebrá-la" quando ela ainda era muito pequenininha ou no medo dela escorregar da minha mão ou se afogar. E é verdade, parece que tem alguma coisa protegendo a gente, reforçando os cuidados. Mas dizem que criança cega a gente e deve ser verdade mesmo. Eu fico sempre atenta à Laura, mas ela é danadinha, já se vira muito e prega algumas peças. Noutro dia eu fui vê-la no berço e percebi que ela tinha se virado de bruços e estava com a cabeça enfiada no travesseiro. Nós tínhamos feito o "charutinho" com ela no cueiro e ela não conseguia usar as mãos para se desvirar. Tomei um sustão! E olha que a gente a coloca para dormir sempre de lado e aparada por aqueles rolinhos de berço.

Ontem eu estava tão cansada que dei a mamada da noite deitada com ela na cama. Entre meio acordada e meio dormindo, fui curtindo estar com ela tão aconchegada do meu lado. Acordamos à 1 da manhã para uma outra mamada e aí é que eu me dei conta de que, com ela dormindo comigo, eu corria o risco de machucá-la, sei lá, se de repente eu rolasse por cima das suas mãozinhas e pezinhos. Foi aí que minha mãe repetiu: "pé de galinha não mata pinto!". Acho que ela tem razão!

Papai Felipe

Oi Laura,
agora é o papai quem está escrevendo. Amanhã é meu último dia de férias e eu não poderia deixar de dizer o quão mágico e especial foram esses primeiros dias juntos. Seu nascimento foi uma experiência sem dúvida de maior intensidade da minha vida e agora estamos nos conhecendo. Você é linda e muito interessante. Já cheia de manias, caras engraçadas, uma combinação já aparente de graciosidade e personalidade forte. Vai ser lindo te ver crescer, dar os primeiros passos e já adianto que vou chorar muito quando você me chamar pela primeira vez de "papai". Quero dizer, minha filha, que o papai está muito, mas muito feliz mesmo de te conhecer e pronto para viver ao seu lado e da mamãe. Já te amava quando você estava na barriga da mamãe, agora então, nem se fala! Beijos filha :)

Felipe

27 agosto, 2006

Ai que sono...



O sono da Laura dura 3, 4 ou 5 horas, é bem engraçado. Parece um reloginho. Eu fico todos os dias tentando fazer com ela as combinações: "filha, mamãe hoje está cansada, então à noite você dorme um sono de 3 horas e depois um de 5, ok?". Às vezes funciona, muitas outras não (hehe).

Neste domingo estamos bem descansados. A Laura dormiu bem à noite, foi um sono de 3 horas, com uma mamada boa à meia noite, um sono de 4 horas com uma mamada média às 5 da manhã e um sono de quase 3 horas. Ela acordou às 8:30h com uma fome danada, mamou durante 1 hora e... dormiu de novo. No colo do Papai. Quer colinho melhor que este?

25 agosto, 2006

Um post para a titia Regina



Laura com uma semana:



Ainda na maternidade, Laura com 1 dia!


A minha irmã, com TODA razão, reclamou comigo hoje que eu não tinha colocado nenhuma foto dela com a Laura no blog. Eu falei tanto dela, do quanto ela vem me ajudando, que realmente me esqueci das fotos. A Regina tem sido uma super irmã para mim. É tão gostoso ver como ela está tão apaixonada pela Laura, eu fico muito feliz em sentir a minha filha tão querida. Na verdade a Regina já vinha demonstrando que seria uma tia muito coruja desde a gravidez, o que só se confirma agora. E o mais legal é que ela também percebeu o quanto a chegada da Laura reforçou os laços de nossa família. Fica aqui então registrado o carinho da titia Regina. Ela tem um coração do tamanho da Terra! É a minha irmazinha querida, para mim vai ser sempre a minha caçulinha, que eu carregava dormindo de volta para a cama lá em São Paulo e cujo pezinho eu adorava beijar. Agora é ela quem beija o pezinho da Laura...
Um beijo Rê!

Passeios

Nesta semana em que a Laura completou um mês de vida (quarta dia 23), saímos para passear bastante. Fomos comprar camisas para mim, abertas na frente, já que meu guarda-roupa não estava ajudando muito na amamentação e ontem fomos à Feira da Gestante e do Bebê na Marina da Glória para comprar roupas de verão para a Laura. Ela se comportou muito bem, ficou dormindo no carrinho bem quietinha. Acordou para mamar uma hora, mas logo pegou no sono de novo. Eu me senti ótima, todo mundo que passava falava que ela era muito linda, fiquei toda orgulhosa. Só teve uma pessoa mais chata que veio dizer que a roupinha que eu tinha colocado nela era a responsável pela alergia que ela mostrava no rosto. Ah, ser mãe... é assim mesmo.

22 agosto, 2006

Carinhas

A Laura faz um monte de carinhas lindas para nós. Ontem ela deu o primeiro sorriso espontâneo quando acordou e eu cheguei para pegá-la no berço. Fiquei uns 5 minutos conversando e sorrindo para ela e ela sorriu de volta. Chorei de emoção. A cada dia ela nos surpreende com novas expressões e coisas engraçadas. A gente adora, por exemplo, o gritinho que ela dá antes de espirrar. É muito fofo!!! Aqui estão algumas fotos preferidas que fizemos neste primeiro mês da Laura.

Nervosinha...



Esta carinha nós chamanos de "vesgão".


No colo da mamãe, logo depois de mamar...



Que sono...



Aqui ela tinha acabado de colocar os brincos. Estava chorando, mas parou no colo da avó.

Pediatra




Na semana passada fomos a uma pediatra homeopata depois de uma consulta pééééééssima com um pediatra anterior que havia sido indicado a nós. Acho que agora com esta nós temos chance de acertar. A Laura cresceu mais de 5 cm e engordou 400g. A médica disse para aumentar um pouco a frequência das mamadas diurnas, mas eu vou continuar a seguir com o esquema de livre demanda. A pediatra passou o primeiro remedinho de homeopatia para a Laura para ajudar no problema das cólicas. Hoje quando eu peguei o remédio fiquei achando lindo aquele vidrinho com o nome dela, o primeiro remedinho de homeopatia. Bobeira de mãe...

Na semana que vem ela vai tomar a segunda dose da vacina de hepatite B e vou levá-la também para fazer o teste do olhinho com um oftalmologista.

Estas são as fotos de quando nós chegamos da médica. Ela ficou linda com esta roupa que a madrinha deu.

Padrinhos




Estes são (vão ser, na verdade...) os padrinhos da Laura, dois grandes amigos da época do Colégio Santa Úrsula. Conheço a Carol e o Rafa desde 1988, já faz 18 anos! E a Laura ainda tem uma vantagem, porque a Tati, noiva do Rafa, também vai ser uma espécie de madrinha da Laura e tenho certeza de que os 3 vão cuidar muito bem da minha gatinha. A madrinha Carol já deu vários presentinhos e o padrinho Rafa deu não só um cueiro que a Laura adora como um ursinho Pooh que fala, dança e canta que os pais da Laura simplesmente amaram.

Um super Pai!



O Felipe está sendo um paizão! Ele tirou um mês de férias, além dos 5 dias de licença-paternidade, então esteve comigo nestas 5 semanas. Ele está craque na troca de fraldas, tem dado vários banhos na Laura, sabe enrolá-la com o cueiro, fazendo tipo um charutinho e é mestre em fazê-la dormir, o que para mim é tarefa árdua.
Ele adora conversar com a Laura, cantar para ela, a interação entre eles é impressionante.
Na semana que vem ele já volta a trabalhar e eu vou sentir muita saudade dele e da ajuda que ele vem dando.

Queda do coto umbilical


O coto do cordão umbilical da Laura caiu com uma semana, bem sequinho. Eu e o Felipe cuidamos super bem, passando álcool a 70% 3 vezes ao dia. Deu certo. Eu percebi que ele tinha caído nesta troca de fralda.

Banho de Sol





Quando o tempo está bom, a Laura toma banho de sol durante meia hora antes das 9h da manhã. É engraçado pensar que eu passei todos estes anos fugindo do sol e agora, por causa dela, eu também tomo sol por tabela. Um sol gostosinho e saudável. Com duas semanas, ela estava de bruços no sofá da sala e conseguiu se virar sozinha. Eu tomei um susto! Logo comprei um tapetinho de borracha e ela agora fica no chão, muito mais segura.

Vovôs e Vovós

Aqui a Laura está usando o primeiro macacãozinho que a Regina (minha irmã) usou.


Aqui ela está usando o primeiro macacãozinho que EU usei. Faz 29 anos, apenas...


Estes são os pais do Felipe com a Laura, ainda na maternidade, um dia depois dela nascer.


Minha filha tem a felicidade de ter os 4 por perto, ainda jovens e bastante ativos. Estão todos babando com a neta! Eu sempre tive meus avós longe, tanto por parte de mãe como por parte de pai. Acho que vou viver através da Laura a experiência de ser pararicada pelos avós. Todos eles já brincam dizendo que vão deseducar, que vão mimar, etc. Quero só ver...

O primeiro banho





Existe uma certa "tradição" na minha família de que primeiro banho em casa do bebê é dado pela avó. Com a Laura não foi diferente e a minha mãe deu o primeiro banho nela. Nos primeiros dias ela reclamou um pouco, mas agora ela curte bastante estar dentro d'água. Eu e o Felipe conversamos com ela, fazemos barulho com a água e ela fica quietinha. O choro só vem mesmo na hora de secá-la, ela normalmente fica com frio e reclama mesmo. Mas depois ela mama e dorme feito um anjinho...

17 agosto, 2006

Amamentação - o jogo nunca está ganho!

Eu me preparei bastante para amamentar a Laura e felizmente tenho tido muita sorte neste departamento. Li muitos livros, assisti a uma palestra excelente com o pessol da Amamentare (link) e recebi um super apoio no hospital quando a Laura nasceu. Mas é incrível como amamentar não é nada simples como se pode imaginar inicialmente. Os bebês, assim como as mães, têm que aprender realmente como o processo acontece. E mesmo agora, com quase um mês, eu e a Laura batalhamos a cada mamada. É difícil às vezes driblar o sono às 3h da manhã, mas quando eu olho para o rostinho dela qualquer esforço vale a pena!
Ela tem um jeito nervosinho de pegar o peito, fica dando cabeçadinhas, é muito engraçado. Só que não há nada mais gostoso do que ouvir as goladas descendo, sentir a mama esvaziando e, principalmente, a carinha de êxtase que ela faz quando termina de mamar.
Amamentar é maravilhoso, uma experiência sem igual! Eu recomendo a todas as mães que têm interesse em amamentar que busquem ajuda e muita informação.

Ah, estou precisando de ajuda para juntar potinhos de vidro de Nescafé ou Maionese para doação de leite!!!



http://www.amamentare.com.br

O primeiro dia em casa

Estávamos saindo da maternidade. Eu estava tão feliz com o meu "pacotinho", fiquei um tempão olhando pra ela enquanto o Felipe acertava os últimos detalhes da saída.

Esta foto foi feita logo que a gente chegou da maternidade com a Laura. O primeiro dia foi bem tranquilo, ela mamou e dormiu bastante. Pude me alimentar bem, descansar um pouco e receber o carinho e o cuidado da minha mãe e da minha irmã, que acabou dormindo aqui em casa na primeira noite. Ela me ajudou trazendo um monte de copos dágua na madrugada enquanto eu amamentava a Laura. A mamada durou 1 hora e quarenta minutos e a minha sede era imensa!!!

Relato do Parto



Esta foi a primeira imagem que eu tive da Laura. No canto inferior direito da foto dá pra ver um pedacinho do meu rosto.



Olha o tamanho do cordão!!! Detalhe para o cocozinho dela... adorei!



Esta mão é do Felipe, ele foi muito corajoso!






Eu passei a minha gravidez inteira lendo relatos de parto e imaginando como seria o meu. Eu falei na terapia que eu tinha vários temores em relação ao hospital, ao tratamento que receberia das enfermeiras, da falta de controle sobre a situação, mas tinha uma forte intuição de que o parto em si seria muito tranqüilo. Eu me preparei para ter um parto normal, fiz o curso da Perinatal em que fui super incentivada pela enfermeira que disse que eu estava “fazendo a força” certinho quando me sentei na cadeira de parto para experimentar e também fui incentivada pela obstetra que disse que minha estrutura óssea era ótima.

Lembro também de uma ultra que eu fiz há alguns anos, reclamando de muitas cólicas, ocasião em que a médica que me examinou disse categoricamente: “ah, se você tem muita cólica vai ter parto normal tranqüilo, pode deixar!”. E por fim, minha mãe falou que quem fica muito inchada na gravidez (alguém disse isso a ela...) costuma ter parto normal (?).

Isso posto, fica aqui estabelecido que eu queria ter parto normal...

Well...

No dia 12 de julho, quarta-feira, eu fui ao Rio Sul com a minha mãe e com a minha irmã para fazer as últimas compras de preparativos para a chegada da Laura. Era também uma forma de aliviar minha ansiedade e me tirar de casa. Nesse dia foi aniversário da minha avó e por mais que ainda faltassem 10 dias para a data prevista, a minha mãe estava na torcida para que a Laura nascesse. Depois de muitas andadas eu comecei a sentir bastante cólica e lá fui eu no Buscopan como prova terapêutica. A dor passou.

No dia seguinte eu não senti nada, fiquei apenas triste porque recebi um telefonema dizendo que a minha médica não poderia me atender na sexta e que estava me encaminhando para uma colega da clínica. Na sexta de manhã recebi um técnico do Velox aqui em casa e enquanto ele fazia o reparo no telefone eu senti uma dor forte, parecia uma contração. Ele logo falou: “moça, é bom a senhora ligar pra alguém porque é assim que começam as dores do parto”. Liguei pra minha mãe e ela logo chegou. Fomos para a clínica, eu já reclamando de dor e o taxista perguntando se a gente tinha certeza de que não era para o hospital que a gente tinha que ir. Na clínica, as atendentes logo viram meu estado e agilizaram a minha consulta. Eu me lembro de ter ficado me segurando pra não chorar, ficava olhando fixamente para um ponto. Na consulta o veredicto: apenas 1 dedinho de dilatação, colo do útero ainda grosso, um bom tempo por vir. Perguntei à médica se eu ficaria ainda uma semana daquele jeito, mas ela disse que não acreditava que fosse demorar. Então, o final de semana foi em esquema de plantão: muitos comprimidos de Buscopan para aliviar a dor, meus pais aqui em casa jogando truco e a bolsa de apostas rolando solta: sábado? domingo? segunda? Eu apostava em terça. Nada.

Muito desconcertada liguei pra marcar mais uma consulta com a obstetra. Os dias foram passando, eu sentia muitas dores, às vezes parecia uma contração, mas sempre a coisa deixava de evoluir. Eu andava pela casa, respirando fundo, tentando me alongar, às vezes melhorava, às vezes não. Nesta altura do campeonato, a chegada da Laura era uma possibilidade, tinha deixado de ser uma certeza para mim. Eu sei que isso é louco, mas era assim que eu me sentia. Cheguei a caminhar no play, tentando ver se era a falta de movimento que estava atrapalhando.

Na consulta com a obstetra, dia 20 de julho, ela achou melhor pedir uma nova ultra e uma nova cardiotocografia (um exame que monitora os batimentos cardíacos do bebê e as contrações da mãe). Os exames mostraram que a Laura estava realmente prontinha para nascer, mas que não dava sinais de que seria tão logo assim. Tive uma pequenina contração, nada demais. E o mais chato, ela estava com o cordão umbilical passando embaixo do pescoço, nada preocupante em princípio, apenas um alerta. Voltei pra casa esperando mais algum sinal. Eu já havia começado a perder o tampão mucoso na semana anterior, então esperava que os outros sinais aparecessem.

Na sexta dia 21 eu passei o dia todo com muitas dores. Minha mãe veio me ver e insistiu em me levar para andar novamente no play. Caminhamos por meia hora, mas foi muito difícil. Eu sentia muita dor, muita dor mesmo, cada passo era um martírio. Mas eu sentia que precisava me mexer um pouco. E haja Buscopan. Teve um momento em que eu pedi bem forte para os espíritos me ajudarem, meu anjo da guarda, Jesus, todo mundo. E perguntei: “quando vai ser?” A resposta veio imediatamente: “dois dias”. Simples assim.

De madrugada, eu fiquei acordada, tomei Buscopan e finalmente senti uma dor diferente. O Buscopan tirava a dor “básica” que eu sentia, mas eu comecei a sentir de tempos em tempos uma dor aguda, bem marcada, com início, meio e fim. E comecei a cronometrar. Começou de hora em hora, sem muito rigor no intervalo, mas bem marcada quanto à duração. O sábado inteiro foi de cronometragem destas dores, ora evoluía, ora voltara a intervalos bem longos. Ainda bem que meus pais vieram e nós jogamos truco de novo. Liguei pra minha médica e ela falou que ainda era “pródomo”, o falso trabalho de parto, que antecede o verdadeiro. Para não ficar dúvida, ela sugeriu que nós fossemos para o Hospital para uma consulta de emergência na qual seria verificada a situação. Decidi ir apenas no dia seguinte e a noite de sábado para domingo transcorreu com a mesma expectativa e muitas anotações da cronometragem.

No domingo de manhã, dia 23 de julho, eu já sentia dor de vinte em vinte minutos, mais ou menos, e o Felipe me levou para o Hospital. Já com as malas no carro, mas sabendo que voltaríamos para casa. Na consulta o médico viu que eu estava com apenas 2 de dilatação e confirmou o diagnóstico de pródomo. Ele me explicou que a contração endurece o útero e que enquanto eu não sentisse isso o trabalho de parto não tinha começado. Eu me senti super frustrada porque estava com muita dor, muita mesmo, os intervalos da dor eram cada vez menores e a intensidade ficava gigante. Ainda por cima acabava de receber a informação de que o trabalho de parto não havia começado. Os médicos se falaram, eu tomei mais um pouco de Buscopan e voltei pra casa depois de uma nova cardio e nenhuma contração. Pelo menos sabia que a Laura estava bem.

Já em casa, fui olhar na Internet que raio de pródomo era esse. Li, entendi e, claro, não gostei! As dores foram aumentando. Me senti a pessoa mais sozinha do mundo, sentindo uma dor imensa, chorando, sem receber um conforto. Principalmente, eu estava começando a ficar triste, porque sabia que eu sentiria dor, mas não imaginava que era tanto assim, ainda mais sem evolução do trabalho de parto. Eu já estava sem dormir direito desde a sexta-feira, me senti cansada, sem muita força para lutar e suportar a dor. A idéia da cesariana passava cada vez mais freqüentemente pela minha cabeça.

Felizmente meus pais resolveram vir logo e quando chegaram eu tinha acabado de sair do banho. O único lugar que tinha me aliviado era embaixo do chuveiro. Quando eles viram que eu estava mal mesmo, insistiram para que eu ligasse pra médica e pedir uma nova orientação. Ela falou pra gente voltar pro hospital e nós fomos rapidinho. Nesta hora as dores já duravam mais ou menos um minuto e vinham a intervalos de 5 minutos.

Quando chegamos no Pan Americano a minha internação já estava pedida e tudo foi muito rápido. A médica decidiu que o parto seria naquele dia, de qualquer maneira, em função do meu estado de dor. Ainda nada de contração, nada de estourar a bolsa, mas as dores rapidamente passaram a intervalos menores até ficarem quase emendadas. Todos foram excepcionais comigo. O Felipe agilizou tudo, foi super organizado. Nós ficamos meio distantes um do outro, eu sabia que ele estava preocupado, mas também pensei em poupá-lo um pouco. Minha irmã ficou comigo direto, me mandava respirar, ficar calma. As lembranças são ligeiramente confusas, acho que a dor faz isso com a gente. O plantonista que me atendeu veio no quarto para avisar que a equipe estava pronta, que era só a minha médica chegar e ele riu quando me viu, porque eu tinha achado uma posição confortável encostada na parede, encostada mesmo, com o ouvido colado na parede do quarto. Depois de muitos telefonemas do Felipe minha médica chegou e eu comecei a ter esperanças.

Ela foi super carinhosa comigo, me encheu de beijinhos, eu achei aquilo muito bom. Ela me examinou e viu que realmente o trabalho de parto não tinha evoluído em nada. Ela chegou a me ver tendo uma contração, mas a dor já era quase constante. Quando ela falou que poderia induzir eu só balancei vigorosamente os braços dizendo que não, que aquilo era o meu limite. Então estava decidido, eu faria uma cesariana em poucos instantes. Veio a enfermeira e viu que eu precisava da tricotomia, mas como a médica não havia pedido, seria mais rápido alguém fazer isso no quarto mesmo.

Durante este dia eu já havia começado a passar por algumas experiências extremamente marcantes, assuntos de terapia, e parece que a solução veio toda de uma vez só. Porque depois de todos estes anos fora da casa dos meus pais, de repente eu me vejo pelada na frente de todos ali no quarto, bundão de fora, o Felipe e minha mãe fazendo a tricotomia juntos... Quer mais entrega do que isso?

Pouco tempo depois, ainda chorando muito, fui levada para o centro cirúrgico. Ontem mesmo eu perguntei pro Felipe como foi esse momento, porque eu só conseguia me lembrar das luzes no teto que a gente vai vendo quando está sendo levado de maca para algum lugar. Cheguei na sala de cirurgia chorando alto e a equipe logo começou a falar: “chorona, chorona”, meio brincando, meio sério. Veio uma mulher e disse: “fica calma mãe” e eu falei “eu não tô nervosa, eu estou com dor”. O anestesista começou a trabalhar rapidamente, ele dizia “moça faz isso, moça faz aquilo” e eu urrando de dor, tendo que me dobrar inteira para o procedimento. Quando a minha médica chegou, no meio daquela dor toda eu ainda pensei: “nossa, como você fica bonitinha vestida de médica...”. Só pensei, não falei, imagina que mico... Mais uma vez a Dra Juliana foi jóia, foi ela que me segurou e ficou me dando beijinhos. Quando a anestesia começou a fazer efeito eu falei pra ela: “Dra Juliana, diz pra eles que eu sou valente, que eu não sou manhosa” e ela concordou. Logo veio a outra médica que tinha me atendido na semana anterior e eu me senti super sortuda por perceber que as duas fariam meu parto juntas. Ela falou: “nossa bichinha, como você sofreu, ficou uma semana sentindo dor”. O anestesista começou a colocar um monte de remédios no meu soro e eu fui ficando cada vez mais calma (mais grogue também), mas aí eu já estava bem melhor. Quando o Felipe chegou ele estava super gelado, eu fiquei preocupada. Falei pra ele encostar-se à parede pra não passar mal, mas ele estava se segurando firme. O anestesista reparou na câmera fotográfica e eu fiquei conversando sobre a máquina (queria fazer uma média com o cara, afinal ele tinha as “drogas”, hehe). Aí a Dra Juliana falou: “tem alguém interessado na Laura aí? Estão conversando sobre máquina fotográfica, vê se pode!”

E então o momento mágico: minha cabeça foi erguida e eu pude ver a minha filha pela primeira vez! Quando eu a vi, tive certeza de que era ela, de que era a minha filha. Em segundos puder ver meus traços nela, toda uma familiaridade, uma sensação de êxtase, de felicidade, de plenitude, sei lá. Vi que ela estava fazendo cocô (o nome certo é mecônio) e achei engraçado. Pensei que estava na hora dela sair mesmo. E realmente a bichinha estava com o cordãozão no pescoço, não apertando, mas presente o suficiente para ter dado nessa quizumba toda. Quando a médica confirmou que não havia jeito mesmo de eu ter tido parto normal me senti um pouco mais aliviada, como se não tivesse sido uma falha minha, mas algo que realmente fugiu do meu controle. O Felipe fotografou tudo e eu estava atenta para ouvi-la chorar. Ela chorou um pouco depois, um choro fraquinho, mas bonitinho. O pediatra veio mostrá-la para mim, colocou a Laura no meu colo e eu fiquei muito emocionada. Como eu não parava de tremer ele ameaçou tirá-la (é impressionante como os médicos adotam uma postura autoritária, firme, a gente obedece na hora...) e aí eu me segurei. E quando eu a vi de pertinho, pensei em como ela era bonita! Eu sabia que ela seria fofa, mas ela era realmente muito bonita, me senti orgulhosa. Esta sensação é quase indescritível, receber um filho pela primeira vez nos braços, é como se o mundo parasse por alguns instantes. Tiramos fotos e eu enfim comecei a relaxar. O Felipe foi com o pediatra para o berçário e as médicas começaram a finalizar a operação. Aqueles minutos são intermináveis, eu queria logo ficar com a Laura, mas a gente tem que ficar lá, ouvindo a equipe conversar, sem saber o que está acontecendo lá fora. Eu perguntei pelo Apgar e a informação veio depois: 9/9, excelente! No final as médicas me deram parabéns, disseram que a Laura era linda mesmo, passaram as instruções do pós-operatório (especialmente a ordem de não falar!!!) e se despediram.

Fui levada de volta pro quarto, tremendo pra caramba (é um dos efeitos da anestesia) e fiquei tentando identificar quem estava lá. Vi que meus sogros tinham chegado e fiquei contente por eles terem ido. Eu queria contar pra todo mundo como tinha sido tudo, mas não podia falar. Colocaram um bloquinho e uma caneta ao meu lado e eu fiquei me comunicando por bilhetes. Mas eu tremia muito, era difícil escrever. Teve uma hora em que eu fiquei sozinha com meu pai e eu quis agradecer por tudo, pela presença dele naquele dia. Sei que todos foram importantes, mas meu pai tinha sido a figura mais presente para mim, porque eu percebi como ele ficou agoniado com as minhas dores. Ele vinha me fazer carinho, me falava para ter fé, para confiar em Deus. Eu sabia que ele estava se importando muito e isso foi fundamental para mim. Por bilhete eu disse a ele que a minha perna estava torta e pedi para ele me arrumar na cama. Ele riu e disse que perna estava normal.

Eu havia deixado com a minha estagiária uma lista de pessoas a serem avisadas quando a Laura nascesse e pedi pra minha irmã ligar pra ela e avisar que ela poderia começar a fazer os telefonemas. Isso foi ótimo, ela rapidamente ligou pra todo mundo e o Rafael (padrinho) e a Tati ainda conseguiram fazer uma visita naquela mesma noite.

Depois que todo mundo foi embora minha filha veio para o quarto. A enfermeira do berçário me incentivou a amamentá-la, mesmo deitada e nós conseguimos. Foi maravilhoso! A Laura ficou comigo e com o Felipe no quarto até a madrugada, quando nós pedimos para levarem-na de volta ao berçário. Eu tinha que ficar naquela posição horizontal e estava exausta. O Felipe também não se agüentava de cansaço. Pensamos no melhor para a Laura e ela ficou então no berçário entre 2 e 6 da manhã. Eu estava muito contente, meio agitada ainda. Eu pensava: “como é que alguém pode dormir tendo acabado de ter um filho???”

Ficar com a Laura foi maravilhoso, ela passou a segunda feira toda conosco. Recebemos várias visitas, foi a maior festa. Eu logo de manha tomei banho, mais uma vez me senti super bem cuidada pelas enfermeiras que me ajudaram a levantar. Elas foram calmas, esperaram meu tempo e cuidaram bem de mim. Me encorajaram a caminhar para aliviar o incômodo geral e eu me senti bem.

Na terça de manhã tivemos alta e por volta de meio dia já estávamos em casa. Tudo correu bem.

O nascimento da Laura foi a experiência mais marcante da minha vida. Não só pelo evento em si, mas também por ter me feito passar por sensações e vivências limite. Eu que sempre quis controlar tudo, ser independente, me vi não tendo controle sobre a situação e me vi também sendo cuidada pelos outros. Podendo receber carinho e atenção, aceitando o fato de que eu precisava de ajuda. Isso foi excepcional e eu serei eternamente grata por ter podido viver isso. Hoje eu me sinto diferente, me sinto marcada por esta experiência. Precisar tanto dos outros me fez mais forte, por entender que isso é vida. É viver intensamente, é poder lidar com as emoções assim, de forma tão profunda.

Hoje eu estou curtindo a minha bonequinha, a Laura é o maior presente que eu podia receber. Agradeço meus pais e minha irmã pelo super apoio que eles me deram e têm me dado, agradeço ao Felipe por ter ficado tão calmo e ter entendido o espaço que meus pais precisavam ocupar. Agradeço à Dra Juliana pelo carinho que ela me deu. E principalmente à Laura que, generosamente, aceitou vir para a Terra como nossa filha, para este reencontro conosco. Eu sou uma mãe muito feliz!

Informações gerais da Laura


Laura nasceu com 49,5 cm e 3,105 kg, super saudável! Seu apgar foi 9 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto. Ela ficou umas duas horas na incubadora, só para ficar aquecida enquanto eu me recuperava da cesariana.

Quando eu vi esta foto é que fui perceber o quanto o Felipe ficou emocionado.